quarta-feira, 30 de abril de 2008
Manuscrito de John Lennon será leiloado em Londres
O papel com a letra foi entregue à escritora e apresentadora Gail Renard pelo próprio John Lennon em 1969.
Renard era uma estudante de apenas 16 anos na época em que Lennon e Yoko Ono estavam fazendo o célebre bed-in, uma sessão de entrevistas para jornalistas do mundo inteiro que os dois deram na cama, durante sua lua-de-mel.
A coleção de objetos inclui fotos que nunca foram exibidas ao público antes e deve ser leiloada pela casa Christie's por 300 mil libras (cerca de R$ 1 milhão).
Entrevista
Gail Renard conseguiu entrar no hotel Queen Elizabeth, em Montreal, onde estavam Lennon e Ono. Junto com uma amiga, ela simplesmente bateu na porta do quarto e pediu uma entrevista ao casal para o jornal de sua universidade.
Renard acabou ficando com o casal o resto da semana e fez amizade com Lennon e Yoko Ono.
Lennon deu a Renard algumas recordações da época, incluindo a letra da música, e afirmou: "Um dia isso vai valer alguma coisa".
O ponto alto do evento foi quando Lennon liderou a gravação da música Give Peace a Chance, cantada por ele e pelos outros 50 convidados que estavam no quarto naquela noite.
G1
quinta-feira, 24 de abril de 2008
Álbum branco, o final -numberninenumberninenumbernine
Durante as gravações do álbum branco, os Beatles ensaiaram músicas que só iriam aparecer mais adiante, nos álbuns "Abbey Road" e "Let it be", e outras que só emergeriam na carreira solo deles, como "Jealous guy", que John Lennon ensaiou com outra letra e outro nome ("Child of nature") e vocês podem conferir ao lado, na coluna "Veja e escute aqui" em gravação, digamos, alternativa. O mesmo aconteceu com "Teddy boy", de Paul McCartney (também ao lado), numa versão diferente da que está no terceiro volume da "Beatles anthology". E tem ainda "All things must pass", de George Harrison... Idem, idem.
O lado quatro do disco foi o que mais fundiu a massa encefálica da rapaziada, na época, pela presença dos oito minutos e 13 segundos de "Revolution 9", algo que nunca tinha sido ouvido fora do restrito círculo da música experimental: meia dúzia de gatos pingados que conheciam John Cage e Karlheinz Stockhausen. Neguim pirou legal ouvindo aquele troço, ainda mais com os neurônios aditivados pelas três letrinhas místicas THC. Neste encerramento, temos quatro canções de John, uma de Paul e uma de George. Interessante o contraste entre ''Revolution nine'' e ''Good night'', que fecha o disco, ambas de John, uma muito louca, outra uma canção de ninar com orquestra. A mesma diversidade se repete para os demais Beatles e a grande conclusão, infelizmente saudosista, é que eram bons tempos em que quatro caras de uma banda faziam um disco de 30 músicas diferentes umas das outras.

Poster gigante de colagens encartado no LP
Revolution – John Lennon – As agitações de 1968 tiveram influências conflitantes sobre John Lennon, que gravou três versões de "Revolution". A primeira, mais rápida e cantada de maneira agressiva, com guitarras distorcidas, foi lançada em um compacto com “Hey Jude”. A segunda, mais lenta, com sopros e guitarra distorcida com menos ataque, abre o lado quatro do álbum branco. A terceira é uma colagem de sons que entrou como a quinta faixa deste lado e falo mais adiante. A letra trata de temas cotidianos daquele ano, como a pregação de uma revolução por setores agressivos da esquerda americana como o Youth International Party e os Panteras Negras. Lennon diz que todos querem uma revolução, mas, se for pela violência, ele está fora. Aos que culpam a Constituição, ele manda que mudem suas cabeças. Aos que levam posters do líder chinês Mao Tse-tung, ele rebate que nada vão conseguir. Em resumo, prega a revolução pela mudança individual de cada um, uma posição utópica que foi criticada pelos setores politizados da época, com a América pegando fogo contra a guerra do Vietnam e as manifestações francesas ainda no rescaldo do maio de 68 (o disco saiu em novembro).
A gravação aconteceu em quatro sessões a 30 e 31 de maio, quatro e 21 de junho: John cantou, tocou violão e guitarra; Paul tocou piano, órgão, baixo e fez vocais; George tocou guitarra e fez vocais; e Ringo tocou bateria. Esta versão tem dois trumpetes e quatro trombones. A guitarra solo fica no canal esquerdo, os sopros no direito, em alguns momentos dialogando com a guitarra no esquerdo, dois trombones ficam marcado, um em cada canal. Os “all right” finais de Lennon passeiam em pan pelos dois canais.
Honey Pie – Paul McCartney – Canção de Paul ao estilo das bandas de jazz dos anos 20, com sopros manipulados para soarem como as antigas gravações em 78 rotações. A história de uma garota do norte da Inglaterra que faz sucesso na América e seu apaixonado a chama de volta. Gravado nos estúdios Trident, nos dias 1, 2 e 4 de outubro, com Paul na voz, piano e guitarra; John na guitarra; George no baixo e Ringo na bateria. Os sopros são cinco saxofones e dois clarinetes. Um verso “now she’s hit the big time”, no princípio, recebeu forte compressão e chiados para soar como num disco antigo.

Savoy Truffle - George Harrison – Esta música é uma homenagem à então fama de chocólatra de Eric Clapton, grande amigo de Harrison, que assaltava caixas de bombons “Good news” que tinham sabores como Savoy truffle, Montelimart, Gingersling, Cream tangerine e coffee dessert, todos citados na letra. Gravada no Trident e em Abbey Road nos dias 3, 5, 11 e 14 de outubro, teve George no vocal com dobra e guitarra, Paul no baixo e Ringo na bateria e pandeiro. Os sopros são seis saxofones – dois barítonos e quatro tenores – que tocaram lindamente o arranjo do assistente de George Martin Chris Thomas. Quando estava pronto, George pediu ao engenheiro Ken Scott que distorcesse o som, o que foi feito injetando os sopros em dois amplificadores que foram saturados e sujaram tudo. Antes de os músicos ouvirem, George pediu desculpas pelo que tinha feito mas explicou que era assim que queria. Eles não gostaram nem um pouquinho, mas estavam ali para fazer o que o autor desejava.
Cry Baby Cry – John Lennon – Canção inspirada num comercial que mandava as crianças chorarem para as mães comprarem uma marca de flocos de milho. A letra foi inspirada em histórias de fantasia a la ‘’Alice no país das maravilhas’’, que John conhecia da infância. Gravada nos dias 15, 16 e 18 de julho, com John na voz, violão, piano e órgão, Paul no baixo, George na guitarra solo, Ringo na bateria e no pandeiro e George Martin no harmônio. No dia 18, os Beatles compareceram à première de “Yellow submarine”, mas também acabaram a gravação com um nova voz de John, vocais e efeitos. Na mixagem, John canta a introdução, o refrão no canal esquerdo, as estrofes no meio, baixo na esquerda, piano e bateria no meio, harmônio na esquerda.

Revolution 9 - John Lennon – começa com um fragmento de Paul cantando algo sobre ser levado de volta por um barco, a seguir um diálogo entre o produtor George Martin e o gerente da Apple Alistair Taylor que se esquecera de trazer uma prometida garrafa de vinho e pede desculpas para Martin. Daí entra uma voz dizendo “number nine” encontrada numa fita que John usou para criar um loop que se repetia ao longo da peça, inspirada nos experimentalismos de gente como Cage e Stockhausen. A colagem foi feita por John e Yoko, com uma força de George, e inclui coisas como um trecho orquestral de “A day in the life”, ao contrário, um mellotron ao contrário, trechos de óperas e sinfonias, John e George falando coisas aleatórias como “the watusi”, “the twist”, “the eldorado”, “economically viable”, “financial imbalance”, “there ain’t no rule for company freaks”. Yoko canta “you become naked” e solta aqueles gritos irritantes. Um engenheiro falou que o “number nine number nine” virou mania na gravadora e as pessoas ficaram semanas repetindo como um mantra.
John levou os funcionários de arquivo e os engenheiros à loucura com sua pesquisa de sonoridades, colagens feitas na base de gilete e cola, loops grandes que tinham que ser segurados com lápis longe dos gravadores e a loucura de jogar tudo isso nos oito canais e fazer a mixagem com efeitos de pan. Nunca uma peça experimental teve o alcance de tanta gente, levada para a casa pelos milhões de compradores do álbum branco.
Depois disso, só restava finalizar o disco com algo bem careta.
Good night – John Lennon – Ringo canta esta cantiga de ninar feita por John para seu filho Julian, de cinco anos. Nos dias 28 de junho e dois de julho, John e Ringo gravaram uma base, que George Martin levou para criar o arranjo de orquestra, gravado no dia 22 de julho por 26 músicos, com o coral dos Mike Sammers Singers, quatro rapazes e quatro moças. Ringo colocou o vocal definitivo nesta noite numa sessão que foi de sete e meia da noite a uma e 40 da madrugada.

That's all folks. Bye bye...
Por: Jamari França
http://oglobo.globo.com/blogs/jamari/default.asp#99136
quarta-feira, 23 de abril de 2008
Vídeo raro de Lennon vira objeto de disputa judicial
O caso opõe a viúva de Lennon, Yoko Ono, à empresa World Wide Vídeo, com sede em Lawrence (Massachusetts), que alega ser a dona das nove horas de material bruto sobre Lennon e Yoko, filmado semanas antes do fim dos Beatles, em 1970.
A World Wide, formada por colecionadores de coisas dos Beatles da Nova Inglaterra, pretende lançar as imagens em preto e branco na forma de um filme de duas horas, chamado "Três dias na vida", mostrando uma fase turbulenta de uma das bandas mais importantes da década de 1960.
A revista "Rolling Stone" qualifica o material como "incríveis imagens de John Lennon que você pode nunca ver."
A empresa, que pagou mais de US$ 1 milhão pelo material (incluindo custos legais e outros gastos) quase o estreou em 2007 na Academia Berwick, no Maine, mas desistiu na última hora porque advogados de Yoko apareceram na escola dizendo deter os direitos sobre o filme.
A World Wide então abriu processo contra Yoko no Tribunal Distrital de Boston por violação de copyright. A audiência preliminar está marcada para 30 de abril.
Segundo os documentos judiciais, a World Wide disse ter comprado, em 2000, 24 fitas e seus respectivos direitos de Anthony Cox, que foi marido de Yoko antes de ela se casar com Lennon, em 1969.
Cox filmou as imagens entre 8 e 11 de fevereiro de 1970 no sítio de Lennon na Inglaterra, para um documentário que pretendia realizar.
Imagens históricas
Nessas imagens, Lennon aparece compondo duas canções de sucesso, "Remember" e "Mind games", e fala abertamente do uso de drogas, em cenas que a World Wide qualifica como "íntimas e sem barreiras".
A World Wide diz que o material foi roubado pouco após a aquisição das fitas, junto com dez cópias. Em 2001, a empresa abriu um processo civil contra um homem de New Hampshire que aceitara devolver as cópias e localizar os originais, segundo documentos judiciais.
As fitas originais atualmente estão sob a posse de Yoko. Numa contra-ação, advogados alegam que Yoko comprou o material legalmente da World Wide por intermédio de um homem da Flórida, apontado como réu no processo aberto pela empresa.
Da Reuters
segunda-feira, 14 de abril de 2008
Disco ao vivo dos Beatles não vai sair
A gravadora norte-americana Fuego Entertainment desistiu de lançar um disco ao vivo com gravações inéditas dos Beatles após a Apple Corps, dona das músicas do quarteto de Liverpool, ter entrado com um processo de violação de direitos autorais contra o selo.
Os executivos da Fuego disseram ter conseguido as gravações por meio do DJ residente do Star Club, em Hamburgo, onde estas músicas foram gravadas em 1962. Este show é tido como o primeiro do qual o baterista Ringo Starr participou.
Na última sexta-feira, 4, um acordo entre as duas partes foi firmado, no qual a Fuego se comprometeu a não lançar o álbum até que o problema dos direitos autorais seja resolvido.
A Apple afirma que a gravação foi feita sem o consenso dos músicos, e que, por isso, é ilegal lançar o material. Já o advogado da Fuego diz que o selo adquiriu os direitos autorais do lançamento por meios legais.
Em entrevista à agência AP, o representante legal da Apple, Paul LiCalsi, concluiu que o acordo “reflete a falta de base legal da Fuego para explorar os direitos autorais destas gravações”.
Fonte: RollingStone
Documentário revela identidade de 'homem-ovo' citado em canção dos Beatles
RIO - O documentário "Mistery tour memories", sobre os Beatles, revela a identidade do "homem-ovo" ("eggman") que é citado na canção "I am the Walrus". Trata-se de Ted O'Dell, que em 1967 trabalhava como distribuidor de ovos em Newquay e conheceu a banda num pub da cidade britânica.
Segundo publicou nesta sexta-feira o jornal "Daily Express", o encontro casual entre a banda de Liverpool e o trabalhador de Newquay serviu de inspiração a John Lennon para escrever a letra de uma das canções mais estranhas da época psicodélica dos Beatles. Em 1967, Paul McCartney, George Harrison, Ringo Starr e Lennon se hospedaram por uns dias naquela região para gravar o filme "Magical mistery tour". Num desses dias, Ted O'Dell foi apresentado a eles como o "homem-ovo".
Pouco depois, saiu o álbum "Magical mistery tour", com "I am the Walrus", cuja letra diz "Eu sou o homem-ovo, eles são os homens-ovos". Dirigido por David Lambert, o documentário, que será lançado em DVD até o fim deste ano no Reino Unido, contém 15 minutos de imagens inéditas dos Beatles. As informações são da agência EFE.
Leonardo Lichote